23/02/2010
Retomada das exportações depende da reação dos EUA e UE
A retomada das exportações brasileiras para o mesmo patamar de antes da crise financeira dependerá da reação dos Estados Unidos e da Europa.
A avaliação é do presidente da Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira. Os Estados Unidos e a Europa são os principais mercados do Brasil junto com a China. Esses países alavancaram as vendas externas brasileiras entre 2007 e 2008, que foram de US$ 197 bilhões no período. A expectativa para este ano é a de alcançar a marca de US$ 175 bilhões. "Não atingiremos a casa dos US$ 200 bilhões se os mercados europeu e americano não se recuperarem", destacou Teixeira.
De acordo com o presidente da Apex, setores da economia no Brasil ainda amargam reflexos da crise, como o têxtil e o de calçados, que só devem se recuperar no segundo semestre. O governo brasileiro deve anunciar nos próximos dias uma série de medidas de estímulo às exportações, mas o resultado pode demorar a chegar se o mercado internacional não retomar a demanda.
"Os Estados Unidos não recuperaram seu poder de compra e muitos analistas internacionais falam que a União Europeia sofre com um rebote da crise, que tem dificuldades sérias na recuperação do nível de emprego e, consequentemente, do consumo das famílias", explicou. A invasão de produtos chineses na América Latina também prejudica o comércio externo do Brasil. De acordo com a Apex, entre 2002 e 2008, as exportações brasileiras para a região cresceram 27,2% contra alta de 37,4% da China.
Teixeira não antecipou o conteúdo do pacote, mas disse que serão medidas de desburocratização. Entidades do setor defendem o aumento de linhas de financiamento, a redução de impostos e a organização da logística nas aduanas. "São propostas de médio e longo prazo que possam estimular a competitividade", disse Teixeira.
O dirigente afirmou que, para se tornar menos vulnerável, o Brasil deve buscar acelerar o processo para exportação e investir em infraestrutura, com o objetivo de reduzir custos da produção. Ele defende que as exportações brasileiras podem se tornar menos vulneráveis às variações do câmbio se o País conquistar mercados e ganhar competitividade.
Segmentos como o de alimentos e o de minérios deram sinais de recuperação nos primeiros meses do ano com a alta da moeda estrangeira (que subiu 6,88%, em 2010). Outros setores, no entanto, ainda sofrem com a fraca demanda internacional, como o têxtil e o de calçados. "Qualquer melhora do dólar traz ganhos. Mas o Brasil não pode deixar de ser um grande exportador por causa das mudanças cambiais. O Brasil tem que conquistar os mercados independentemente do câmbio", defendeu o presidente da Apex-Brasil.
Fonte: Jornal do Comércio
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